terça-feira, 3 de abril de 2012

Um conto que nunca existiu.

Capítulo Um 

Era mais uma manhã cinzenta de domingo. Acendi um cigarro, tomei mais um gole de café, sentei para escrever. Queria falar sobre o tempo, sobre como minha vida é animada aos fins de semanas, quando programo vários filmes para assisti ou até mesmo sobre a queda do dólar, que mesmo eu dizendo que não me afeta em nada, o jornal me prova ao contrário, mas a verdade é que mais uma vez escrevi sobre o Renato, não, dessa vez foi diferente de todas as vezes, não estou chorando, ou dizendo o quanto odeio. Não, hoje eu digo que estou bem, que estou vivendo, superando..


Renato é meu ex-namorado. O cara que eu sempre achei que era o homem da minha vida, que a 6 meses peguei transando com uma garçonete do restaurante que nos conhecemos, ela sempre servia meu café, e lembrar daquela cena.. Bom, a 6 meses atrás, eu chorava muito, fiquei 8 dias na cama, imaginei todas as formas de suicídios possíveis, nunca tive coragem. No nono dia meu melhor amigo, o Allan, veio me ver e me colocou dentro de um consultório com o psicologo dele. E depois de quase 3 horas de sessão, ele pediu para que eu voltasse a escrever, todas as noites, para eu esvaziar toda a dor.. 
Eu sempre escrevi, mas com toda a correria da vida, meus diários passaram a ser atualizados uma vez por mês. E depois dessa consulta, voltei a escrever. Nos primeiros dias foram estranhos. Eu chorava a cada frase, me isolei totalmente e não acreditava que tudo aquilo estava acontecendo, que fui traída pelo homem que mais amei em toda a minha vida. Depois de um mês, escrevia sobre toda a raiva que eu sentia por está passando por aquilo tudo, eu não merecia, minha vida tinha se tornado vazia e eu ainda queria me matar. Depois de 3 meses, eu voltei a sair, a ir aos lugares de sempre, a ver aquela garçonete, a ver o Renato. Acabei na cama com ele, me humilhando, implorando por cada momento que poderíamos passar juntos, e hoje percebo o quanto perdi o meu amor próprio, o quanto me rastejei pelo homem que destruiu a minha vida, mas naquele momento esqueci de tudo, e só queria ele de volta, ao meu lado. Depois de 2 meses e continuar sendo humilhada pelo Renato, voltei a depressão inicial, chegando a escrever uma carta de despedida, tomar remédios tarja preta e acabei eu uma cama de hospital para fazer lavagem, se o Allan me encontrasse 2 horas depois do horário que ele me encontrou, entraria em coma e morreria. Faz 3 semanas que sair do hospital e prometi a mim mesma que viveria. Essa é a fase do estágio de Kübler-Ross da aceitação. Eu fiquei completamente destruída, não acredito mais no amor e estou me equilibrando emocionalmente. Eu estou bem.. Para tudo começar a desandar de novo. 

Pags. 7 e 8

4 comentários :

Keila disse...

o que eu mais curto nos seus contos são os nomes dos personagens e a temporalidade da sua narração. bjs

Por que você faz poema? disse...

E que venham outras páginas,
outros capítulos...

Andressa Tavares. disse...

como a gente gosta de desandar né? ¬¬
que odio.

Engraçadinha disse...

O q seria isso exatamente?
Um conto seu?

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