sábado, 25 de março de 2017

CONHECI UM CARA...

... Legal, bonito, ultra inteligente, que contextualizou para mim como os piratas roubaram o Brasil e fizeram a Inglaterra enriquecer, que faz artigos acadêmicos, que me faz ri, SOLTEIROOOOOOOOOOO!!! De gêmeos, que para nos librianas é maravilhosos, genteeeeee, perfeitoooo demaaais!!!! Mas quando se trata de mim, tinha alguma coisa, né non?! Era tudo perfeito demais, e aí, eu descobrir que ele tem bafo. EU NÃO BEIJEI NÃO! Eu conversei mais de perto, DUAS VEZES PARA RATIFICAR, e ele tem bafo mesmo. Era bom demais para ser verdade ¬¬

Essa é minha vida, esse é meu clube!

terça-feira, 21 de março de 2017

Diário de Terapia: Dores Inúteis



“Oi, é bom estar aqui de novo... O episódio de hoje se chama dores inúteis. Umas três semanas atrás eu assisti um seriado, House of Cards, que o personagem principal começa com um discurso sobre existe dois tipos de dores; as dores de crescimento e as dores inúteis. As dores de crescimento, são dores que aprendemos algo, que agregam de alguma forma nas nossas vidas. As dores inúteis não servem de nada, você vai sofrer, mas não adianta nada, nada vai mudar por causa do seu sofrimento. É como se fosse dois trabalhos, sabe?! Sentir a dor e passar pela situação. Eu estou sentindo dores inúteis...” 



Esse foi o textão que passei a segunda-feira inteira ensaiando para falar com a Tia Terapeuta. Isso mesmo, eu.fiquei.ensaiando.textão.para.falar.com.Tia.Terapeuta. QUE PONTO CHEGAMOS! O objetivo era não assustar ela e não parecer tão maluca, já que era a segunda sessão, mas né, depois comecei a chorar, e bom, fiz a maluca. 
Março começou e a sensação que eu tenho é que ele me jogou pra cima e eu ainda estou caindo. É a jogada do Cara da Roda Gigante e, logo no primeiro dia, ele já comeu 1 peão. Depois, tirou mais um, e após 15 dias, ELE AINDA TIRA PEÕES, sucessivamente, sem se preocupar como eu ficaria emocionalmente, como ficaria meu jogo, ele só quer “limpar o templo” e tá limpando! E aí que entra esse lance de dores inúteis; eu perdi peões, eu ainda estou caindo e a jogada dele ainda está acontecendo. Vai adiantar eu chorar, espernear, implorar pelos peões??? Não. Os peões foram seguir suas vidas e eu ainda continuo aqui, com aquela sensação de abandono, tentando me equilibrar sem muletas, VIVENDO A ADRENALINA DA VIDA. 
E olha, tem mais, tá?! É engraçado como eu invento umas paradas muito locas pra minha vida, né?! Eu não paro, me jogo mesmo nas loucuras da minha cabecinha. Tipo, pra vocês entenderam do que eu estou falando,  então que quando eu tava lá no purgatório, numa atitude desesperada para sair de lá, e vendo que, de verdade, eu não conseguiria mesmo sozinha, eu comecei a fazer vários propósitos - Lê-se eu tiro coisas, que eu gosto muito, como pão, cigarros, masturbação, celular... e abro um jejum, para o Cara da Roda Gigante resolver essas questões que eu não consigo sozinha. LOUCA, NÉ NON?! - afim de, sei lá, os milagres acontecerem, e eu já tenho uns três meses nessa - Nesse momento estou em jejum de celular e eu tenho vontade de morrer -, e coisas locas tem acontecido, porque acima de tudo eu creio mesmo em milagres e... Esse é o momento que vocês me chamam de loca, que acham eu devo parar de usar ervinhas, e que tem certeza que minha psicóloga vai ter muito trabalho comigo, mas talvez só seja meu jeito de tentar consertar essa vidinha aqui, e ao invés de sentar na varanda como fiz em Waking Up, eu só queira me posicionar e tomar uma atitude, afinal, DESISTI JAMAIS, NÉ NON??!

quinta-feira, 16 de março de 2017

Sobre essas coisas de ser romanticamente sozinha

"Tô tirando férias, dando um tempo disso..Chega de amar, chega de me doar, chega de me doer." 
Caio Fernando Abreu

Eu tenho um ano sem ninguém. Romanticamente falando, claro. Eu sei explicar o porquê disso? Maybe. 
Pra começar, eu passei um bocado de tempo amando o Comendador e lamentando por tudo que havia acontecido com nós. Eu vivi a dor, eu sou assim, eu acredito que, para você sair inteiro, tem que VIVER A DOR MESMO! Depois de todo esse processo de cura - Olha só, eu estou curada mesmo, posso sentir muitas coisas pelo comendador, mas ó, né amor mais não, mas assumo, ainda sinto, porque eu sei que ele não é uma pessoa que vive em paz depois de mim -, eu achando que estava pronta, linda e bela, quando sentada na sala da Tia Terapeuta eu passei 45 minutos falando da minha vida amorosa, mesmo dizendo pra ela que estava de boa, que havia superado tudo e que vivia muito bem sem ninguém... Ela jogou uma verdade na minha cara: Olha só, CÊ NÃO TÁ DE BOA NÃO! 
Eu minto pra mim, sabe?! Eu tenho essa mania de criar as capas e de pagar de fodona, mesmo estando na merda total, criar as capas até seria de boa, se eu não acreditasse nelas, então assim: Eu crio as capas, acredito nelas como verdades absolutas e vou vivendo, enquanto por dentro, tá tudo uma merda. Não é nada combinado não, eu não percebo mesmo, pago de fodona e quando alguém joga uma verdade, como a Tia Terapeuta fez, eu fico tipo "Ué, eu não estou de boa não?" Reflito e adivinha: EU PERCEBO QUE EU TAVA ACREDITANDO NA CAPA E QUE TÔ NA MERDA TOTAL. 
Eu descobri que minha vida amorosa me incomoda sim, que eu não estou de boa não, que eu quero alguém bacana and legal... Mas aí entra outro contexto: Eu estou pronta para alguém? E olha só, NÃO TÔ NÃO, VIU?! Eu ainda preciso viver tanto de mim, consertar tanta coisa em mim, cuidar de mim... Fora que, tenho 30 anos, gente, não quero ficar indo para baladinha pegar macho não, não estou mais na vibe de ter contatinhos para fodinhas e muito menos, viver relacionamento superficiais ou abusivos para dizer que tenho alguém do lado, eu já sou MUITA COISA, já pago preços enormes por isso, e não quero nem pagar preços de ninguém, nem mais problemas, quero ficar de boinha, na minha, deixando as coisas acontecerem no seu tempo, sem pressa, sem desespero, dispensando pessoas mesmo - Porque rola, né, gente?! Não sou tão encalhada assim não -, entendendo que eu preciso tá felizinha e bem comigo mesma sozinha, pra depois tá dividindo esse coração - QUE JÁ APANHOU PRA CARALHO - com alguém. 

Ps: Aaaah, gente, bateu o loco aqui, tô refletindo nessas paradas todas e são 06:32 dá manhã, precisava desabafar, afinal, essa bagaça aqui é pra isso, né nom??! Me deixem =**

quarta-feira, 15 de março de 2017

Turning Off: The Orchard - First Act

Na temporada anterior... 
The Purgatory - Ep. 4 


S: Logo aí atrás está o pomar... – Sebastian falou apontando para parede de plantas em nossa frente. 
L: Podemos entrar? 
S: Bom, eu quero que você tente... – Coloquei as mãos nas plantas e sentir um fio de energia em todo o meu corpo. Empurrei as plantas e é como se houvesse uma parede por trás que não nos deixava passar. – É, você também não consegue. – Sebastian comentou frustrado enquanto eu ainda tocava na parede e sentia a energia sendo emanada para meu corpo. 
L: Olha só... – Mostrei minhas mãos para o Sebastian para que ele pudesse ver a luz da energia percorrendo todo o meu corpo. – É mágica! Magia pura essa parede! E é boa! O que tem nesse pomar? 
S: Reza a lenda que é o paraíso dentro do purgatório. Em 3.000 depois do Cara da Roda Gigante, uma fada veio para cá, ela foi amaldiçoada por uma bruxa e fico presa aqui, ela crio o pomar para conservar sua magia e todas as suas lembranças boas, ninguém sabe o que tem ao certo aí dentro, mas parece que conseguimos sair daqui. Desde que entrei aqui, eu tento, mas parece que tem algum feitiço que não deixa ninguém entrar... – Ele falou tocando na parede de plantas. 
L: Alguém já tentou? Sei lá... Alguém já conseguiu entrar ou sair? 
S: Antes, enquanto a fada estava viva, todos conseguiam transitar, mas O Sabotador descobriu que era uma passagem para os dois lados, e quis entrar para buscar as pessoas que, para ele, era de direito. Houve uma batalha, a fada morreu aí dentro e selou o lugar. Depois disso, ninguém nunca entrou ou saiu daí, parece que ela também não, por isso tanta magia. 
L: E porque você que entrar? Não estaríamos burlando o sistema? Estamos em recuperação e vamos fugir? Ninguém deixaria isso... Eles sabem que você sabe desse lugar? 
S: Claro que não! Eu descobrir tudo isso sozinho, ouvir alguns comentários e pesquisei, desde então tento entrar, todos os dias, mas nunca tive sucesso. 
L: Ahhh! É por isso que eu não te via antes, você sumia o dia inteiro... – Falei revirando os olhos. – E você achou que eu conseguiria entrar? Porquê? – Questionei confusa com todas as informações.
S: Não, eu quis dividi isso com você, eu não sou bom com pessoas, e conhecer você... – Sebastian colocou a mão na cabeça. – Você é diferente de todos que conheci. Eu rodei o mundo, parei em vários lugares e nunca conheci alguém como você... – Sebastian chegou mais perto e parou na minha frente. – Acho que são seus olhos, essa coisa de ficar escuro na sombra e claro no sol, nunca vi ninguém com olhos assim, ou seu sorriso, que ilumina todo o lugar, não gosto quando fica séria, você não fica bem quando não está sorrindo, e também tem o seu cabelo, o jeito que você mexe nele... E não é só isso... São os detalhes, a sua energia... – Sebastian me olhou desconcertado. 
L: Peraí... Meus olhos ficam claros no sol? – Falei olhando para o sol. 
S: Tá vendo? Olha como você é boba?! – Sebastian apontou para mim sorrindo. – Você calada é uma Barbie, mas aí abre a boca, fica desbocada, fala bobagens... E quando estamos na sessão de terapia, parece que você entra em Nárnia, fica olhando para o nada, me faz ri... Eu te acho naturalmente engraçada, cômica, sem equilíbrio nenhum das suas emoções, ou você sente tudo, ou não sente nada... – Sebastian chegou mais perto e colocou as mãos no meu rosto. – O que eu quero dizer é: Você é o perfil de pessoa que eu nunca me aproximaria na terra, eu sou reservado, odeio gente escandalosa, não sou de socializar, de dá bom dia pra pessoas na rua e aqui... Parece que esse lugar muda a gente... Eu não quero ficar aqui. E acho que você também não deveria querer... – Sebastian falou olhando nos meus olhos profundamente. – Vamos embora daqui, Lara, nós não temos nada a ver com esse bando de maluco, não podemos nos conformar de estar aqui, esse lugar não é para nós!
L: Calma! É muita coisa para digerir... Eu nunca imaginei que você havia reparado tanto em mim... Mas deixa eu te contar uma coisinha: Eu sou assim mesmo, viu?! Não é que você se deixou levar, é que eu não costumo ficar no raso, eu vou no profundo, eu quero ir sempre além. Sabe essa capa que você usa? – Apontei para sua capa preta que era sua vestimenta de todos os dias. – Eu vou entrar nela... E eu não acredito em coincidências, Sebastian, existe um propósito de estamos aqui juntos e parece que acabo de descobrir o motivo... Vamos entrar no pomar! 


Dias atuais... 

R: O QUÊ??? – Raabe me olhou chocado. – Você é louca?? Eu jamais te ajudaria nisso. – Ele falou ajeitando o capuz. 
L: Eu preciso de você! Você me acompanhou na última vez que estive lá, você sabe como entrar... – Falei tentando convencê-lo. 
R: Isso é por causa dele? Lara o que acontece com você? O Sabotador arma os laços e você sempre cai, não cansa de apanhar? E pior, VOCÊ SABE QUE ELE É UM LAÇO! – Raabe gritou e todos que estavam no restaurante olhou para nós. – Sorry! – Ele falou levantando as mãos. – Estou indo embora, eu não sei o que você pensou me chamando aqui, mas eu não posso compactuar com isso, ao contrário de você, eu estou mesmo do lado do Cara, não posso te ajudar. – Ele levantou e eu o segurei pelo braço. 
L: Raabe, se não formos pela estação, vamos ter que atravessar os vales dos sete pecados. 
R: Boa sorte. – Raabe tirou minha mão do seu braço e foi embora. 


Eu continuei sentada e pedi a conta, não sabia o que fazer com toda essa história. Sebastian e eu tínhamos uma ligação muito única, eu não conseguia entender, mas eu não poderia deixa-lo. Perdida em meus pensamento, o meu telefone tocou, me trazendo de volta apar o restaurante, pelo visor eu vi que era o Howard... 

L: Que saudades de você! 
H: Suaa locaaa! Eu tenho tentado falar com você por dias... – Howard esbravejou. – Precisamos nos ver, você precisa se retratar, mentiu para mim sobre o Comendador e ele ainda está aí dentro. 
L: Do que você está falando? Do Noah? – Questionei confusa. 
H: Ele não é seu Noah, mesmo que você não acredite, ele não é! E o Sebastian também não! Eu já disse que não gosto dele? 
L: Peraí! Do que você está falando? 
H: Eu joguei pra você, sei que você pediu para não fazer, mas né?! Você voltou para terra, eu precisava saber como seria sua nova vida e... 
L: EU NÃO QUERO SABER! Eu pedi para você não jogar! Esse é um momento diferente da minha vida... 
H: Calma! Não vou falar para você. Eu respeito esse momento e não vou te contar nada... Na verdade, eu não fui autorizado a falar... 
L: Como assim? 
H: O Tio da Roda Gigante não autorizou que eu falasse nada para você, mas estou preocupado, o que posso dizer é que muitas coisas vão acontecer, coisas grandes, fortes, pesadas... Existe um porquê do Sebastian na sua vida, você precisa dele... O que quero dizer exatamente é: “Um para esquecer o outro” é tudo que você precisa saber. 
L: Gente! Como assim, eu não entendo, eu estou bem, estou na terra, minha vida está bem, os problemas que eu vivo hoje nem são meus, e eu só sou um apoio e... 
H: Eu acho graça que você mente para você mesma e acredita nisso. Lara, eu disse o que você precisava saber, as cartas são assim, elas não dizem o que queremos saber e sim o que precisamos saber! Eu preciso desligar, espero que fique bem, não esqueça que você é uma sobrevivente. 
L: Ok, amo você. 

“Um para esquecer o outro”, essas palavras ecoaram na minha cabeça até chegar em casa. Entrei sem falar com ninguém e subir para o quarto, ainda assim, Musa veio atrás de mim. 

M: O que o Howard quis dizer? – Musa se jogou na cama. 
L: Não sei, Musa, e de verdade não quero me preocupar com isso, temos problemas maiores, o Raabe não vai nos levar e eu não sei o que fazer. – Deitei do seu lado na cama. 
M: Vamos descobrir um jeito de entrar lá... 
L: Vamos? Será mesmo... Musa, porque você está nessa? Você deveria ser a última pessoa no mundo que queria me ver no purgatório de novo e parece que está encantada com a ideia. Esse não era o momento que você me daria um tapa na cara e me traria para a realidade, eu resolvi desligar, colocar as emoções de lado, seguir sem muletas... 
M: Nossa! Você é tão ruim sendo racional! – Musa falou sorrindo. – Eu estou nessa porque você não quer está, quando nós concordamos mesmo?? Eu não queria te ver lá novamente, mas pelos motivos de outrora. Dessa vez é diferente, você está buscando coisas, entendendo os sinais da vida... 
L: Oi? Eu estou indo para tentar ajudar o Sebastian, não?! – Olhei para Musa surpresa. 
M: Aaafff, você é burra como uma porta! Você não sempre achou que existia um porquê dele está na sua vida? Não consegue enxergar? Olhe além, não com olhos terrestre, mas com olhos espirituais, você não está só ajudando o Sebastian, esse é um processo seu também, você precisa passar por isso tudo, por isso estou contigo... E também porque eu quero saber quem é o Sebastian de verdade.... 
S: Falando de mim? – Sebastian sentou na cama. – O Raabe vai nos ajudar? 
M: Não! Como eu já imaginava... 
L: Para ele, não é certo... 
S: Bom, então vamos ao plano B... 
L: Você não vai desisti, né? 
S: Não, na verdade, eu acho que vai ser até mais divertido... – Sebastian comentou sorrindo.
L: Nossa! Passar por sete vales, cheia de coisas e criaturas que nem sabemos como é, parece ser mesmo divertido... – Falei sarcasticamente.
M: E se a gente se preparar? Antes de ir? Podemos pesquisar, procurar o Roberto mais uma vez para pegar aquele mapa, buscar atalhos... 
S: E se nos fossemos pelo pomar? 


 Continua...

sábado, 11 de março de 2017

Turning Off: Surging (First Act)

The Purgatory - Ep. 3 


Um mês depois e eu parecia que ia enlouquecer. Não aguento mais toda essa filosofia barata de ser um pessoa melhor e tal. O Doutor até que se esforça, mas não consigo falar nada na terapia em grupo. Eu não aguento mais essas pessoas, as mesmas histórias, as mesmas crises... 

L: AAAAAAAAAH! CALA A BOCA! VOCÊ NÃO É PORRÃH DE DEUSA NENHUMA! EU NÃO AGUENTO MAIS ESSAS HISTORIAS. – Levantei, sair da sala, desci as escadas correndo e fui para fora. 

Todos os dias a Kesley falava as mesmas coisas, isso quando não chorava. Esse lugar é pior que o inferno, você não sabe ao certo porque está aqui, não sabe como sai, eu me sinto presa dentro de uma versão de Caverna do Dragão...

S: Tá tudo bem? – Sebastian me questionou. Ele nunca havia falado comigo e foi uma surpresa vê-lo em pé do meu lado. 
L: Eu não aguento mais essa maluca! – Falei acendendo um cigarro.
S: Você deu uma surtada lá dentro, acho que todos são loucos aqui. 
L: Talvez... – Ficamos calados por algum tempo... 
S: Você sabe porque parou aqui? 
L: Não exatamente... 
S: Eu também não, mas é exatamente mesmo, eu não sei mesmo porque estou aqui. 
L: Alguém sabe? – Foi a primeira vez que rimos juntos. 
S: Dizem que você já esteve no inferno... 
L: Duas vezes. 
S: Meninãh! E conheceu O Sabotador? 
L: Muito, de verdade. – Olhei para sua mão e vi sua aliança. - Olha só, você é casado, eu nunca tinha percebido sua aliança.
S: É a única coisa que sei sobre mim, eu tenho uma esposa na Terra, Primeira Esposa, nos temos um relacionamento conturbado... – Ele falou desconcertado.
L: Todos dizem isso, né?! – Falei sorrindo.
S: Eu não sei, eu só tive ela, e nunca falo da minha vida com ninguém, então... – Agora, eu que fiquei desconsertada.
L: Já eu, conheço muito bem essas histórias...
S: Alguém já te disse isso?
L: Sim, mas não quero falar sobre isso, é passado, não importa...

Passamos o fim daquela tarde conversando. Falamos sobre está no purgatório, nossas percepções sobre a vida e até sobre música. Sebastian não é mais aquele cara estranho que não falava com ninguém, depois desse dia, viramos companheiros e nós víamos todos os dias. 

S: Bom dia, bom dia, bom dia!! – Sebastian entrou no meu quarto cantarolando o "bom dia" como de costume e se jogou do meu lado na cama.
L: Saiii daqui, me deixaaaaa... 
S: Vamu tomar café, temos a yoga e quero te levar a um lugar. 
L: Onde? 
S: No pomar... 


Dias atuais... 

L: Você surtou? Eu não vou no purgatório, não, viu?! 
S: Lara, eu nunca vi a Emyli daquele jeito, ela viu muita coisa, mas só conseguiu falar que eu era um anjo caído, logo depois eu sou mandado de volta pra Terra, sério, precisamos ir lá! – Sebastian sentou na cama e Musa também. 
M: Lara, eu vou ajudar vocês, precisamos descobrir como entrar lá. 
L: Musa??? Você estar do lado do Sebastian nessa loucura?? – Falei chocada olhando para os dois.
S: Lara, é minha vida, eu preciso de você, eu quero resolver isso. 
L: Gente, não tem como voltar lá, eu nem sei como parei naquela estação... 
M: Vamos procurar uma bruxa, vamos atrás de um feitiço de localização... 
S: O Roberto saiu, ele saiu antes de mim, vamos atrás dele! 


... 

M: Achei! – Musa pulou da cadeira com o notebook nas mãos. – A casa do Roberto! Eu acho que ele é um professor, é esse mesmo? – Sebastian e eu olhamos a foto e virmos um Roberto muito mais melhorado do que víamos no purgatório. 
L: É ele sim.... Vocês tem certeza disso? – Questionei os dois. 
S: Eu não posso ficar sem saber o que aconteceu, antes eu não sabia de nada, agora eu sei que sou um anjo, eu preciso entender o que aconteceu. 
M: Vamos precisar de alguma coisa da Emyli, senão, será difícil localiza-la. – Sebastian correu pela sala, subiu a escada e desceu de volta com a mochila nas mãos. 
S: No dia que ela disse que eu era um anjo, e logo depois começou a ter as convulsões, a pulseira dela partiu, eu peguei e guardei para devolve-la... – Sebastian mostrou uma pulseira de ouro. 
M: Se sairmos agora, chegaremos cedo lá... 

Fizemos a viagem toda de carro calados até chegar na casa do Roberto. O fato de estar voltando para o purgatório me assustava e não sabia ainda se isso tudo era uma boa ideia. 

M: Espero que ele esteja em casa. – Musa falou parando em frente a porta da casa e tocando a campainha. Roberto abriu a porta e nos olhou com espanto. 
R: Sebastian? Lara? O que vocês fazem aqui? 
S: Precisamos de sua ajuda, podemos entrar? 
R: Claro, por favor... Vocês querem alguma coisa para beber? 
L: Eu quero água, minha garganta está seca. 
M: Eu também! – Musa pediu. Roberto foi até a cozinha e voltou com uma bandeja com copos e uma jarra de água. 
R: Sentem, eu não consigo imaginar o que trazem vocês aqui, nós somos amigos? Porque não lembro de falar com vocês enquanto estávamos lá – Ele falou apontando para direita. – E quem é ela? – Falou apontando para Musa. 
L: Ela sou eu, minha consciência, em forma humana... Nós não éramos amigos, mas estamos precisando de você, precisamos voltar ao purgatório. 
R: O quê? Vocês ficaram loucos? Ninguém em sã consciência voltaria pra lá... – Ele falou apontando para direita. 
L: A Musa quer ir, ela super apoia a ideia. – Falei em tom de piada. 
S: Roberto, eu sou um anjo, cair do céu... 
R: Você o quê? Como assim? Você e servo do Sabotador? 
S: Eu sou um anjo caído, mas não sei mais nada sobre mim e por isso estamos aqui... 
L: Precisamos voltar ao purgatório, achar a Emyli e entender o que aconteceu com o Sebastian. 
R: Mas não estaríamos nós envolvendo em alguma encrenca? Se ele perdeu a memória tem um motivo, e outra, voltar ao purgatório, é arriscado demais. 
M: Olha só, gente, só precisamos que você localize a Emyli e vamos embora sem ninguém nunca precisa saber que estivemos aqui. – Roberto saiu da sala e voltou com um mapa na mão, abriu e colocou em cima da mesa de centro. 
L: Isso é um mapa? Da onde? – O mapa era completamente diferente de todos os mapas que já tinha visto na vida. 
R: É o mapa do outro lado, de todos os reinos, aqui está o purgatório – Ele apontou para uma ilha onde tinha uma montanha. – Aqui é o paraíso terrestre, em baixo temos os vales dos sete pecados capitais – Ele foi apontando do topo da montanha até em baixo. – Aqui é o purgatório, não faço ideia de como vocês chegariam lá. 
L: A gente precisa saber se a Emyli ainda está lá. – Sebastian entregou a pulseira a Roberto. 
R: Vocês três, deem as mãos. – Ele colocou a pulseira no centro do mapa, levantou as mãos e começou a falar em uma língua que não entendia. Dermos as mãos e virmos a pulseira mover-se no mapa, até parar no purgatório. – Ela continua no purgatório. 
S: Precisamos chegar lá... 
L: Pela estação de trem parece ser o caminho mais rápido... 
R: Se não for pela estação, vocês vão ter que passar por todos os Vales... Eu não aconselho. – Roberto falou enquanto fechava o mapa. 
L: Talvez eu tenha alguém que pode nos ajuda a chegar lá e é pela estação de trem!

Continua..
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