terça-feira, 17 de abril de 2012

Um conto que nunca existiu

Capítulo Três 

- É sério que ele ficará a noite inteira falando de peixes? - Pensei mexendo os olhos. David era a bola da vez. Aceitei sair com ele, mas ele ainda não me fez ri, não parou de falar de peixes e o telefone dele não pará, o que tem me deixado muito nervosa e ao mesmo tempo aliviada. Nervosa, porque até eu já quero saber quem tanto liga. Aliviada, porque ele cala a boca por alguns segundos. Ele não para de falar de peixes, será que todos os biólogos são chatos?
- Sério, o tubarão branco destrói qualquer coisa que ver pela frente, e a boca dele é enorme.. Só um momento.. - Falou ele checando o celular.
- O que está acontecendo? - Perguntei já atordoada.
- Quê? - Ele falou quê? Sério? Como se não soubesse realmente do que se tratava...
- O telefone, ele tocou a noite toda, achei que você era biólogo, não médico...
- HAHAHAHA Nossa! Você é engraçada! - Falou ele aparentemente forçando uma risada.
- Alguém tem que ri.. E então? Quem é no celular?
- Já no primeiro encontro mostra o quanto é ciumenta e controladora? Nossa!
- Ciumenta? Controladora? Esse telefone está me deixando nervosa! E você não atende, a pessoa insisti, é algo sério, pode atender...
- Não, desculpa, eu estou brincando com você, é minha ex-mulher, eu combinei de pegar minha filha hoje, só que disse que chegaria mais tarde e ela tem compromisso.. - Falou ele meio sem jeito.
- Sua filha? Ué? Ela é importante, e você não precisava desmarca nada com ela por causa de mim, nossa, estou me sentindo mal..
- Não, eu marquei, acabei me esquecendo..
- Você esqueceu da sua filha? - Falei chocada.
- Não, não que eu tenha esquecido, é que a vida anda uma loucura e..
- Tudo bem! Outro dia agente marca, vai ver sua filha.. - Falei pensando logo em seguida que nem pagando eu me encontro com um cara que esquece da filha, não que eu acredite em conto de fadas, mas estou na faixa dos 27 anos, quero ter filhos, não posso me envolver com uma pessoa que não é um bom pai.

Paguei a conta, pensei em pegar um táxi, mas a noite estava linda e estrelada como a muito não havia visto, resolvi anda a pé, o metrô só seria uns 3 ou 4 quarteirões. Acendi um cigarro, observei como mesmo quase de madrugada as pessoas estão na rua, também é um sábado a noite, as pessoas saem, sentem essa necessidade louca de estravessa tudo que ficou entalado durante a semana, como se sair os fim de semana fosse uma obrigação. Talvez seja e eu esteja tão por fora que não entrei na sintonia de casa+trabalho+noitada, estou na fase de casa+trabalho e estou feliz assim. Tá! Não ando tão feliz assim, mas também não quero senti essa necessidade urbanoíde de estar enfiado em alguma festa. Não, essa não sou eu. 
Avistei as escadas do metrô, e corri para não perder o horário, os corredores do metrô também estavam cheios, não como de dia, mas ainda transitava muitas pessoas. Olhei no relógio mais uma vez e corri, minha linha do metrô passa em 5 minutos. Corri e esbarrei em algumas pessoas, passei pelas plataformas e vi de longe o metrô chegar, corri e acabei derrubando um senhor, parei, ajudei-o a levantar, me desculpei e voltei a correr, acabei me esbarrando de novo, agora em um mendigo, que me segurou e gritou alguma coisa que meio atordoada não percebi, o metrô já estava saindo, quando corri mais um pouco e pulei... Acabei caindo dentro, em cima de um rapaz, que sorrindo falou: - Você acertou o pulo!

Um comentário :

Madame disse...

kkkkkkkk que cara idiota! Voce foi mto digna de sair mesmo.
Tudo isso pra nao andar 4 quarteiroes? kkkkkkk

bjus

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