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quarta-feira, 15 de março de 2017

Turning Off: The Orchard - First Act

Na temporada anterior... 
The Purgatory - Ep. 4 


S: Logo aí atrás está o pomar... – Sebastian falou apontando para parede de plantas em nossa frente. 
L: Podemos entrar? 
S: Bom, eu quero que você tente... – Coloquei as mãos nas plantas e sentir um fio de energia em todo o meu corpo. Empurrei as plantas e é como se houvesse uma parede por trás que não nos deixava passar. – É, você também não consegue. – Sebastian comentou frustrado enquanto eu ainda tocava na parede e sentia a energia sendo emanada para meu corpo. 
L: Olha só... – Mostrei minhas mãos para o Sebastian para que ele pudesse ver a luz da energia percorrendo todo o meu corpo. – É mágica! Magia pura essa parede! E é boa! O que tem nesse pomar? 
S: Reza a lenda que é o paraíso dentro do purgatório. Em 3.000 depois do Cara da Roda Gigante, uma fada veio para cá, ela foi amaldiçoada por uma bruxa e fico presa aqui, ela crio o pomar para conservar sua magia e todas as suas lembranças boas, ninguém sabe o que tem ao certo aí dentro, mas parece que conseguimos sair daqui. Desde que entrei aqui, eu tento, mas parece que tem algum feitiço que não deixa ninguém entrar... – Ele falou tocando na parede de plantas. 
L: Alguém já tentou? Sei lá... Alguém já conseguiu entrar ou sair? 
S: Antes, enquanto a fada estava viva, todos conseguiam transitar, mas O Sabotador descobriu que era uma passagem para os dois lados, e quis entrar para buscar as pessoas que, para ele, era de direito. Houve uma batalha, a fada morreu aí dentro e selou o lugar. Depois disso, ninguém nunca entrou ou saiu daí, parece que ela também não, por isso tanta magia. 
L: E porque você que entrar? Não estaríamos burlando o sistema? Estamos em recuperação e vamos fugir? Ninguém deixaria isso... Eles sabem que você sabe desse lugar? 
S: Claro que não! Eu descobrir tudo isso sozinho, ouvir alguns comentários e pesquisei, desde então tento entrar, todos os dias, mas nunca tive sucesso. 
L: Ahhh! É por isso que eu não te via antes, você sumia o dia inteiro... – Falei revirando os olhos. – E você achou que eu conseguiria entrar? Porquê? – Questionei confusa com todas as informações.
S: Não, eu quis dividi isso com você, eu não sou bom com pessoas, e conhecer você... – Sebastian colocou a mão na cabeça. – Você é diferente de todos que conheci. Eu rodei o mundo, parei em vários lugares e nunca conheci alguém como você... – Sebastian chegou mais perto e parou na minha frente. – Acho que são seus olhos, essa coisa de ficar escuro na sombra e claro no sol, nunca vi ninguém com olhos assim, ou seu sorriso, que ilumina todo o lugar, não gosto quando fica séria, você não fica bem quando não está sorrindo, e também tem o seu cabelo, o jeito que você mexe nele... E não é só isso... São os detalhes, a sua energia... – Sebastian me olhou desconcertado. 
L: Peraí... Meus olhos ficam claros no sol? – Falei olhando para o sol. 
S: Tá vendo? Olha como você é boba?! – Sebastian apontou para mim sorrindo. – Você calada é uma Barbie, mas aí abre a boca, fica desbocada, fala bobagens... E quando estamos na sessão de terapia, parece que você entra em Nárnia, fica olhando para o nada, me faz ri... Eu te acho naturalmente engraçada, cômica, sem equilíbrio nenhum das suas emoções, ou você sente tudo, ou não sente nada... – Sebastian chegou mais perto e colocou as mãos no meu rosto. – O que eu quero dizer é: Você é o perfil de pessoa que eu nunca me aproximaria na terra, eu sou reservado, odeio gente escandalosa, não sou de socializar, de dá bom dia pra pessoas na rua e aqui... Parece que esse lugar muda a gente... Eu não quero ficar aqui. E acho que você também não deveria querer... – Sebastian falou olhando nos meus olhos profundamente. – Vamos embora daqui, Lara, nós não temos nada a ver com esse bando de maluco, não podemos nos conformar de estar aqui, esse lugar não é para nós!
L: Calma! É muita coisa para digerir... Eu nunca imaginei que você havia reparado tanto em mim... Mas deixa eu te contar uma coisinha: Eu sou assim mesmo, viu?! Não é que você se deixou levar, é que eu não costumo ficar no raso, eu vou no profundo, eu quero ir sempre além. Sabe essa capa que você usa? – Apontei para sua capa preta que era sua vestimenta de todos os dias. – Eu vou entrar nela... E eu não acredito em coincidências, Sebastian, existe um propósito de estamos aqui juntos e parece que acabo de descobrir o motivo... Vamos entrar no pomar! 


Dias atuais... 

R: O QUÊ??? – Raabe me olhou chocado. – Você é louca?? Eu jamais te ajudaria nisso. – Ele falou ajeitando o capuz. 
L: Eu preciso de você! Você me acompanhou na última vez que estive lá, você sabe como entrar... – Falei tentando convencê-lo. 
R: Isso é por causa dele? Lara o que acontece com você? O Sabotador arma os laços e você sempre cai, não cansa de apanhar? E pior, VOCÊ SABE QUE ELE É UM LAÇO! – Raabe gritou e todos que estavam no restaurante olhou para nós. – Sorry! – Ele falou levantando as mãos. – Estou indo embora, eu não sei o que você pensou me chamando aqui, mas eu não posso compactuar com isso, ao contrário de você, eu estou mesmo do lado do Cara, não posso te ajudar. – Ele levantou e eu o segurei pelo braço. 
L: Raabe, se não formos pela estação, vamos ter que atravessar os vales dos sete pecados. 
R: Boa sorte. – Raabe tirou minha mão do seu braço e foi embora. 


Eu continuei sentada e pedi a conta, não sabia o que fazer com toda essa história. Sebastian e eu tínhamos uma ligação muito única, eu não conseguia entender, mas eu não poderia deixa-lo. Perdida em meus pensamento, o meu telefone tocou, me trazendo de volta apar o restaurante, pelo visor eu vi que era o Howard... 

L: Que saudades de você! 
H: Suaa locaaa! Eu tenho tentado falar com você por dias... – Howard esbravejou. – Precisamos nos ver, você precisa se retratar, mentiu para mim sobre o Comendador e ele ainda está aí dentro. 
L: Do que você está falando? Do Noah? – Questionei confusa. 
H: Ele não é seu Noah, mesmo que você não acredite, ele não é! E o Sebastian também não! Eu já disse que não gosto dele? 
L: Peraí! Do que você está falando? 
H: Eu joguei pra você, sei que você pediu para não fazer, mas né?! Você voltou para terra, eu precisava saber como seria sua nova vida e... 
L: EU NÃO QUERO SABER! Eu pedi para você não jogar! Esse é um momento diferente da minha vida... 
H: Calma! Não vou falar para você. Eu respeito esse momento e não vou te contar nada... Na verdade, eu não fui autorizado a falar... 
L: Como assim? 
H: O Tio da Roda Gigante não autorizou que eu falasse nada para você, mas estou preocupado, o que posso dizer é que muitas coisas vão acontecer, coisas grandes, fortes, pesadas... Existe um porquê do Sebastian na sua vida, você precisa dele... O que quero dizer exatamente é: “Um para esquecer o outro” é tudo que você precisa saber. 
L: Gente! Como assim, eu não entendo, eu estou bem, estou na terra, minha vida está bem, os problemas que eu vivo hoje nem são meus, e eu só sou um apoio e... 
H: Eu acho graça que você mente para você mesma e acredita nisso. Lara, eu disse o que você precisava saber, as cartas são assim, elas não dizem o que queremos saber e sim o que precisamos saber! Eu preciso desligar, espero que fique bem, não esqueça que você é uma sobrevivente. 
L: Ok, amo você. 

“Um para esquecer o outro”, essas palavras ecoaram na minha cabeça até chegar em casa. Entrei sem falar com ninguém e subir para o quarto, ainda assim, Musa veio atrás de mim. 

M: O que o Howard quis dizer? – Musa se jogou na cama. 
L: Não sei, Musa, e de verdade não quero me preocupar com isso, temos problemas maiores, o Raabe não vai nos levar e eu não sei o que fazer. – Deitei do seu lado na cama. 
M: Vamos descobrir um jeito de entrar lá... 
L: Vamos? Será mesmo... Musa, porque você está nessa? Você deveria ser a última pessoa no mundo que queria me ver no purgatório de novo e parece que está encantada com a ideia. Esse não era o momento que você me daria um tapa na cara e me traria para a realidade, eu resolvi desligar, colocar as emoções de lado, seguir sem muletas... 
M: Nossa! Você é tão ruim sendo racional! – Musa falou sorrindo. – Eu estou nessa porque você não quer está, quando nós concordamos mesmo?? Eu não queria te ver lá novamente, mas pelos motivos de outrora. Dessa vez é diferente, você está buscando coisas, entendendo os sinais da vida... 
L: Oi? Eu estou indo para tentar ajudar o Sebastian, não?! – Olhei para Musa surpresa. 
M: Aaafff, você é burra como uma porta! Você não sempre achou que existia um porquê dele está na sua vida? Não consegue enxergar? Olhe além, não com olhos terrestre, mas com olhos espirituais, você não está só ajudando o Sebastian, esse é um processo seu também, você precisa passar por isso tudo, por isso estou contigo... E também porque eu quero saber quem é o Sebastian de verdade.... 
S: Falando de mim? – Sebastian sentou na cama. – O Raabe vai nos ajudar? 
M: Não! Como eu já imaginava... 
L: Para ele, não é certo... 
S: Bom, então vamos ao plano B... 
L: Você não vai desisti, né? 
S: Não, na verdade, eu acho que vai ser até mais divertido... – Sebastian comentou sorrindo.
L: Nossa! Passar por sete vales, cheia de coisas e criaturas que nem sabemos como é, parece ser mesmo divertido... – Falei sarcasticamente.
M: E se a gente se preparar? Antes de ir? Podemos pesquisar, procurar o Roberto mais uma vez para pegar aquele mapa, buscar atalhos... 
S: E se nos fossemos pelo pomar? 


 Continua...

sábado, 11 de março de 2017

Turning Off: Surging (First Act)

The Purgatory - Ep. 3 


Um mês depois e eu parecia que ia enlouquecer. Não aguento mais toda essa filosofia barata de ser um pessoa melhor e tal. O Doutor até que se esforça, mas não consigo falar nada na terapia em grupo. Eu não aguento mais essas pessoas, as mesmas histórias, as mesmas crises... 

L: AAAAAAAAAH! CALA A BOCA! VOCÊ NÃO É PORRÃH DE DEUSA NENHUMA! EU NÃO AGUENTO MAIS ESSAS HISTORIAS. – Levantei, sair da sala, desci as escadas correndo e fui para fora. 

Todos os dias a Kesley falava as mesmas coisas, isso quando não chorava. Esse lugar é pior que o inferno, você não sabe ao certo porque está aqui, não sabe como sai, eu me sinto presa dentro de uma versão de Caverna do Dragão...

S: Tá tudo bem? – Sebastian me questionou. Ele nunca havia falado comigo e foi uma surpresa vê-lo em pé do meu lado. 
L: Eu não aguento mais essa maluca! – Falei acendendo um cigarro.
S: Você deu uma surtada lá dentro, acho que todos são loucos aqui. 
L: Talvez... – Ficamos calados por algum tempo... 
S: Você sabe porque parou aqui? 
L: Não exatamente... 
S: Eu também não, mas é exatamente mesmo, eu não sei mesmo porque estou aqui. 
L: Alguém sabe? – Foi a primeira vez que rimos juntos. 
S: Dizem que você já esteve no inferno... 
L: Duas vezes. 
S: Meninãh! E conheceu O Sabotador? 
L: Muito, de verdade. – Olhei para sua mão e vi sua aliança. - Olha só, você é casado, eu nunca tinha percebido sua aliança.
S: É a única coisa que sei sobre mim, eu tenho uma esposa na Terra, Primeira Esposa, nos temos um relacionamento conturbado... – Ele falou desconcertado.
L: Todos dizem isso, né?! – Falei sorrindo.
S: Eu não sei, eu só tive ela, e nunca falo da minha vida com ninguém, então... – Agora, eu que fiquei desconsertada.
L: Já eu, conheço muito bem essas histórias...
S: Alguém já te disse isso?
L: Sim, mas não quero falar sobre isso, é passado, não importa...

Passamos o fim daquela tarde conversando. Falamos sobre está no purgatório, nossas percepções sobre a vida e até sobre música. Sebastian não é mais aquele cara estranho que não falava com ninguém, depois desse dia, viramos companheiros e nós víamos todos os dias. 

S: Bom dia, bom dia, bom dia!! – Sebastian entrou no meu quarto cantarolando o "bom dia" como de costume e se jogou do meu lado na cama.
L: Saiii daqui, me deixaaaaa... 
S: Vamu tomar café, temos a yoga e quero te levar a um lugar. 
L: Onde? 
S: No pomar... 


Dias atuais... 

L: Você surtou? Eu não vou no purgatório, não, viu?! 
S: Lara, eu nunca vi a Emyli daquele jeito, ela viu muita coisa, mas só conseguiu falar que eu era um anjo caído, logo depois eu sou mandado de volta pra Terra, sério, precisamos ir lá! – Sebastian sentou na cama e Musa também. 
M: Lara, eu vou ajudar vocês, precisamos descobrir como entrar lá. 
L: Musa??? Você estar do lado do Sebastian nessa loucura?? – Falei chocada olhando para os dois.
S: Lara, é minha vida, eu preciso de você, eu quero resolver isso. 
L: Gente, não tem como voltar lá, eu nem sei como parei naquela estação... 
M: Vamos procurar uma bruxa, vamos atrás de um feitiço de localização... 
S: O Roberto saiu, ele saiu antes de mim, vamos atrás dele! 


... 

M: Achei! – Musa pulou da cadeira com o notebook nas mãos. – A casa do Roberto! Eu acho que ele é um professor, é esse mesmo? – Sebastian e eu olhamos a foto e virmos um Roberto muito mais melhorado do que víamos no purgatório. 
L: É ele sim.... Vocês tem certeza disso? – Questionei os dois. 
S: Eu não posso ficar sem saber o que aconteceu, antes eu não sabia de nada, agora eu sei que sou um anjo, eu preciso entender o que aconteceu. 
M: Vamos precisar de alguma coisa da Emyli, senão, será difícil localiza-la. – Sebastian correu pela sala, subiu a escada e desceu de volta com a mochila nas mãos. 
S: No dia que ela disse que eu era um anjo, e logo depois começou a ter as convulsões, a pulseira dela partiu, eu peguei e guardei para devolve-la... – Sebastian mostrou uma pulseira de ouro. 
M: Se sairmos agora, chegaremos cedo lá... 

Fizemos a viagem toda de carro calados até chegar na casa do Roberto. O fato de estar voltando para o purgatório me assustava e não sabia ainda se isso tudo era uma boa ideia. 

M: Espero que ele esteja em casa. – Musa falou parando em frente a porta da casa e tocando a campainha. Roberto abriu a porta e nos olhou com espanto. 
R: Sebastian? Lara? O que vocês fazem aqui? 
S: Precisamos de sua ajuda, podemos entrar? 
R: Claro, por favor... Vocês querem alguma coisa para beber? 
L: Eu quero água, minha garganta está seca. 
M: Eu também! – Musa pediu. Roberto foi até a cozinha e voltou com uma bandeja com copos e uma jarra de água. 
R: Sentem, eu não consigo imaginar o que trazem vocês aqui, nós somos amigos? Porque não lembro de falar com vocês enquanto estávamos lá – Ele falou apontando para direita. – E quem é ela? – Falou apontando para Musa. 
L: Ela sou eu, minha consciência, em forma humana... Nós não éramos amigos, mas estamos precisando de você, precisamos voltar ao purgatório. 
R: O quê? Vocês ficaram loucos? Ninguém em sã consciência voltaria pra lá... – Ele falou apontando para direita. 
L: A Musa quer ir, ela super apoia a ideia. – Falei em tom de piada. 
S: Roberto, eu sou um anjo, cair do céu... 
R: Você o quê? Como assim? Você e servo do Sabotador? 
S: Eu sou um anjo caído, mas não sei mais nada sobre mim e por isso estamos aqui... 
L: Precisamos voltar ao purgatório, achar a Emyli e entender o que aconteceu com o Sebastian. 
R: Mas não estaríamos nós envolvendo em alguma encrenca? Se ele perdeu a memória tem um motivo, e outra, voltar ao purgatório, é arriscado demais. 
M: Olha só, gente, só precisamos que você localize a Emyli e vamos embora sem ninguém nunca precisa saber que estivemos aqui. – Roberto saiu da sala e voltou com um mapa na mão, abriu e colocou em cima da mesa de centro. 
L: Isso é um mapa? Da onde? – O mapa era completamente diferente de todos os mapas que já tinha visto na vida. 
R: É o mapa do outro lado, de todos os reinos, aqui está o purgatório – Ele apontou para uma ilha onde tinha uma montanha. – Aqui é o paraíso terrestre, em baixo temos os vales dos sete pecados capitais – Ele foi apontando do topo da montanha até em baixo. – Aqui é o purgatório, não faço ideia de como vocês chegariam lá. 
L: A gente precisa saber se a Emyli ainda está lá. – Sebastian entregou a pulseira a Roberto. 
R: Vocês três, deem as mãos. – Ele colocou a pulseira no centro do mapa, levantou as mãos e começou a falar em uma língua que não entendia. Dermos as mãos e virmos a pulseira mover-se no mapa, até parar no purgatório. – Ela continua no purgatório. 
S: Precisamos chegar lá... 
L: Pela estação de trem parece ser o caminho mais rápido... 
R: Se não for pela estação, vocês vão ter que passar por todos os Vales... Eu não aconselho. – Roberto falou enquanto fechava o mapa. 
L: Talvez eu tenha alguém que pode nos ajuda a chegar lá e é pela estação de trem!

Continua..

sexta-feira, 10 de março de 2017

Turning Off: New Friends - First Act

Na temporada anterior...
The Purgatory - Ep.2 


R: Você precisa assinar aqui, aqui e aqui. – A recepcionista me passou várias folhas e mostrava onde deveria assinar. 

Eu estou no Purgatório. Nunca imaginei que estaria aqui, mas estou. Como eu parei aqui? Bem, eu não falo mais com O Cara da Roda Gigante e também não tenho falado com a Musa. A verdade é que Waking Up me jogou para o ar, descobri coisas sobre mim que, aparentemente, todos sabiam – Todos leiam-se O Cara da Roda Gigante, a Musa, O Sabotador e a Deusa -, fui à luta, apanhei da vida, desisti de tudo, me afastei de todos, e parece que continuo no caminho errado, afinal, estou no Purgatório. 

R: Ei! Você já assinou? Preciso te mostrar a clínica. – Eu assinei todas as folhas sem ler e entreguei a ela. – Vamos, preciso te mostrar seu quarto e todo resto. 

Era um castelo enorme, de muitos andares e muitas salas, a recepcionista ia me mostrando cada local e para quer eles serviam, mas eu só conseguia ver aquelas pessoas, seus rostos e a tristeza em seus olhares. Eu parei em uma clínica de reabilitação, eles não gostavam que chamassem assim, mas era isso mesmo: Uma clínica para desajustados. 

R: Esse é seu quarto, você pode deixar as coisas e vem comigo que vou te levar na sessão de terapia em grupo. 
L: Ah, mas eu quero descansar, talvez amanhã. – Disse colocando as malas ao lado da cama. 
R: Não, você tem que ir agora mesmo, a gente precisa começar logo os trabalhos, né? Ou você quer ficar aqui para sempre? 
L: Eu só acho que não preciso ir para uma terapia em grupo, posso conversar com alguém, sozinha... 
R: Olha só, Lara, né?! Então, deixa eu te explicar uma coisinha, aqui temos cronogramas diários que precisam ser seguidos, além disso, a socialização ajuda vocês, pessoas com mais amigos, são pessoas mais felizes, entende? Então podemos ir agora ou eu vou ter que chamar os enfermeiros? – Ela apontou para porta com um sorriso amarelo no rosto. 
L: Perai, isso é uma ameaça? – Falei saindo do quarto e seguindo-a. 

Subimos algumas escadas e paramos no 4° andar, seguimos pelo corredor e chegamos em uma sala enorme, tão grande que me lembrava aos estúdios de dança que ensaiava quando criança. 

R: Doutor? Com licença, essa é a Lara, ela acabou de chegar. – Ela me apresentou para um homem grisalho e outras pessoas que estavam sentadas em um círculo. – Vou deixa-la com o senhor, eu preciso voltar pra lá pra baixo. – Ela saiu e todos ainda me olhavam. 
D: Lara, quer se apresentar? – O homem grisalho me questionou. 
L: Oi... meu nome é Lara – Todos continuavam me olhando com tristeza, exceto um cara que estava sentado de costa para mim. – Eu posso ir embora agora? Eu estou mesmo cansada e... 
D: Lara! Lindo nome, sente um pouco com a gente... 

... 


Basicamente, eu acordo, tomo café, participo da yoga - O que não curto muito, mas era isso ou vôlei, que é bem pior -, fumo muitos cigarros, vejo os jogos de vôlei e futebol dos malucos tudo - Eles são loucos mesmo, tá?! -, tiro fotos do tempo, das flores, das pessoas... Ah! E tem a terapia em grupo, que após 8 dias, ainda não falei nada, na verdade, adoro observar as histórias dos malucos tudo - Eles são loucos de verdade, tá?! -, e ver o quanto não tenho nada a ver com esse lugar. 
No meu horário tinha umas 12 pessoas comigo: A Kesley, a que mais fala, ela fala o tempo todo, o doutor tinha que implorar para ela calar a boca (ela fala que é uma reencarnação de uma deusa que tem o poder de manipular o tempo - MALUCA -). A Renné que matou os pais e eu acho um perigo ela está aqui, porque, segundo ela, ela ver os pais nas pessoas e quer matar a pessoa, colocando todos nós em risco, ou ao menos a mim, já que ninguém parece se importar. O Roberto que fica com os fones de ouvido o tempo todo e se diz bruxo. A Luísa que acredita que tem 3 filhos mais ninguém no mundo nunca viu nenhum, ela acorda a noite e fica gritando os nomes dos supostos filhos. O César que é um senhor que só fede a tabaco, mas esse eu sei a história completa: Ele era um animago, viveu anos como gato, porque matou uma pessoa, só que foi transformado de novo em pessoa e acabou aqui. A Anne que descobriu que era uma fada depois de colocar fogo na própria casa. A Lola que entende os animais e se sente superior por isso. O Diego que diz ser o próprio filho de Deus encarnado - Ele não é, tá?! -. O Rubel que tem um caso com alguém da clínica, mas ele nunca diz o nome - Ele é muito gostoso! -. A Emyli que é a mais nova, fala a língua dos anjos, consegue ver todos os reinos e dizem que ela tem visões profundas sobre os mundos, é a que mais me intriga por estar aqui, afinal, a alma dela é mesmo pura. E o Sebastian que eu nada sei, ele não fala com ninguém, ignora tudo e a todos, e é o único que eu só vejo na hora da terapia, na maioria do tempo ele parece um fantasma. 

 Dias atuais...


L: Desculpa! – Falei dando um beijo na testa de Raabe, O Acompanhante. - O Sebastian queria vim, a Musa também, eu tive que mentir, né?! Você pediu para que eu viesse sozinha, que não falasse com ninguém, o que aconteceu? – Sentei na mesa de frente para ele. 
R: O Sebastian foi mesmo atrás de você, né?! – Ele falou irritado. 
L: Eu sou a única amiga dele, para onde ele iria? – Falei segurando suas mãos. – Porque esse capuz, essa roupa, tá se escondendo de quem? 
R: Lara, eu sou um anjo, não era nem pra eu tá aqui. - Ele falou saltando minhas mãos. 
L: O que está acontecendo? Você está diferente, o que faz aqui? 
R: Lara, eu vi você mergulhar, o mar estava revolto, e você se afogava, mas uma luz, O Cara, ele te salvava... Eu vi, sabe?! Nessa primeira visão, eu fiquei tranquilo, afinal, Ele te salvava. – Ele falou apontando para o céu. – Mas eu tive outras, você se afogava, vi você sendo engolida pelo mar, e não tinha mais ninguém para te salvar... O que eu quero dizer é: Ele diz antes, ele está te alertando, o fim está próximo, as batalhas vão vim e você precisa se posicionar, ele não pode te salvar se você não quiser... 
L: Eu estou aqui! Estou do lado dele, eu me posicionei sim! 
R: Você sabe que não é tão simples assim, você sabe que ainda está na terra, você precisa cuidar das coisas dele... O Sabotador está no jogo ainda e ele não vai desisti de você... Olha, eu preciso ir, como disse antes, não era nem para eu está aqui. Se cuida, tá?! 
L: Eu estou me cuidando, eu estou bem, viu?! A Musa cuida muito de mim, a companhia do Sebastian também tem me ajudado, ele é um anjo caído, você sabia?
R: Você sabe?  – Raabe me olhou chocado.
L: Sim, na verdade, eu vim também por isso, o que aconteceu com ele, porque ele foi expulso do céu? 
R: Peraí, você sabe que ele é um anjo caído e ainda está do lado dele? Lara, acorda, quem foi o último anjo caído que se tem notícias?? O SABOTADOR! Ele queria o reino dos céus, sabia? Ele quis destruir O Cara! – Raabe esbravejou.
L: Tá, mas o que o Sebastian fez? Ele também tentou roubar o Reino? Desafiou O Cara?
R: Lara, não importa, ele foi expulso!
L: Você o conhecia? Sabe o que aconteceu, eu preciso ajuda-lo...
R: Não! Você precisa se ajudar!
L: Ele é meu amigo, tá?! Enquanto não soubermos o que aconteceu, não podemos julga-lo, não é?!
R: Você sabe que ele tem uma esposa? 
L: Claro! E esse é um ponto que não entendo, anjos podem casar?
R: Ele não é mais um anjo, ele não é mais nada para nós... 
L: O que aconteceu? Me diz! O que ele fez?
R: Eu não sei, Lara, mas um anjo ser expulso do Reino não é algo bom...
L: Mas se ele parou no purgatório e não no inferno, é porque ele não é tão mal assim, né?
R: Eu não sei, eu sei de coisas que ouvi, ele foi expulso, ponto... Eu preciso mesmo ir, não se meta em encrencas, principalmente as que não são suas... Eu estou sempre de olho em você. – Ele levantou da mesa e me abraçou. – Ele quer você de volta.

Raabe foi embora, mas eu pedi um café. Descobrir que o Sebastian era um anjo caído me deixava intrigada; Porque ele foi expulso do Reino dos Céu? Porque ele parou no purgatório? Porque a esposa dele é como uma estranha para ele? O Sebastian era uma incógnita para mim, e para ele também, afinal, ele perdeu a memória e não sabe nada sobre si mesmo.

Fiquei algum tempo no restaurante pesquisando coisas sobre anjos caídos, motivos para alguém perder a memória e até joguei o nome de Sebastian no Google, mesmo parecendo tudo errado, existe uma energia nele que me faz acreditar que ele não seja esse monstro que o Raabe pintou. Continuei pesquisando até chegar em casa, mas não tive sucesso nas pesquisas.


S: Lara, até que enfim! Eu já sei como podemos descobrir tudo que aconteceu comigo, antes d’eu para aqui, a Emyli me revelou que era um anjo caído, depois disso ela teve uma convulsão e não conseguir mais contato com ela, mas ela ver as coisas, ela sabe o que aconteceu comigo, temos que ir atrás dela! - Sebastian falou pulando do sofá, enquanto a Musa vinha atrás dele.
L: Perai, você está sugerindo que... Não, eu não vou voltar pra lá! - Falei chocada subindo as escadas e os dois vieram atrás mim.
S: Vai sim, vamos voltar ao Purgatório.

 Continua...

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

The Purgatory - Season Final / Turning Off - Nova Temporada


Entrei na igreja e ela estava vazia, como sempre. Caminhei até o primeiro banco, mas a sensação que eu tinha era que estava me rastejando. Ajoelhei-me e desmoronei em um choro sentido, doído... A dor ainda estava aqui. 
O Cara da Roda Gigante também entrou e sentou ao meu lado; tocou em minha cabeça e era como se a dor se intensificasse. Agora, todo o corpo doía. 

L: Eu perdi de novo, né? Mais uma vez. – Falei olhando para O Cara da Roda Gigante. – Dói tanto! – Falei, chorando copiosamente. – É uma dor que não passa, que não acaba. Olha onde eu vim parar, só para, mais uma vez, provar que eu não consigo... 
C: O Purgatório não é um lugar para quem não consegue, é um lugar para quem precisa aprender lições.
L: Eu aprendi tudo que precisava aprender em Oblivion. Eu aprendi as lições, paguei os preços!
C: Não. Você nunca passou da última fase de Oblivion. Você nunca aceitou. Ainda está na fase da depressão. Ela vem se arrastando e, por isso, dói tanto.
L: Não! Eu saí de Oblivion passando por todas as fases. Eu aceitei! – Gritei e fiquei de pé.
C: Pare! Você não precisa mentir para mim. Na verdade, você jamais conseguiria. Você pode tentar mentir para O Sabotador, mas, como ele é o pai da mentira, você também não conseguiria...
M: Chegamos, agora, em um ponto muito pior: ela mente para ela mesma. – Musa entrou na igreja e olhamos para trás. – Ela acredita mesmo que aceitou, mesmo estando aqui, num lugar de pessoas que devem. E deixa eu te adiantar uma coisa: Você perdeu mesmo. – Musa sentou e me colocou sentada ao seu lado.
L: Vocês... Aqui... Eu... – Musa colocou minha cabeça no seu colo e eu chorei. Chorei, sentindo a dor, zonza, sem acreditar nas verdades ditas ali, naquela igreja.
C: Onde está a carta? – Olhei para O Cara da Roda Gigante e tirei a última carta escrita para o Noah do bolso. Ela estava suja, mas a fita vermelha estava impecável. – Ela vai voltar para onde você deveria ter deixado. – Ele a pegou e desfez o laço.
L: Mas... E a dor? Ele ainda esta aqui. Não é a carta, é o amor, é a dor que não passa, é essa porcaria de dor e...
M: Então... Você admite que não aceitou? Que não havia acabado e que você guardou isso tudo que você sente aí dentro, tentando camuflar, escondendo, fingindo... – Eu olhei para Musa e abaixei a cabeça. Eu não conseguia parar de chorar.
L: Então, é isso?! Eu parei no Purgatório por causa dele?
C: Não, você parou aqui por sua causa. 
M: Você acha mesmo que O Sabotador não te conhece? Você acha mesmo que só porque foi ao inferno duas vezes, se tornou a fodona e que pode jogar com ele? Esse jogo é para gigantes, você é apenas um Silfo que nem consegue controla seu poder! Você é tão burra que é só ele te dá um laço pomposo que você cai, e você caiu mesmo, viu a historia se repeti, viu o mesmo contexto e ainda sim caiu. – Musa levantou e começou a andar de um lado para o outro. – E sabe por quê? Por que você não consegue controlar seus próprios sentimentos, você não consegue controla você mesma, não houve ninguém, abandona quem está do seu lado, só por capricho, por orgulho, e enquanto estamos lutando, O Sabotador está sambando, acabando com você e te deixando assim, para refazermos os cacos. Eu estou cansada, tá?! Estou mesmo! – Musa começou a chorar e O Cara da Roda Gigante a olhou profundamente, levantou, estendeu a mão para mim, me fez levantar e se aproximou da Musa, lhe estendeu a mão e fomos até o púlpito, chorando, as duas, em silêncio.

No púlpito, havia um prato de ouro onde O Cara da Roda Gigante colocou a carta com a fita vermelha. Ela começou a queimar e entre muitas lagrimas sussurrei um “Não!”. Cair de joelhos e gritei abraçada ao púlpito.


M: A dor não está aqui – Musa falou tocando no meu peito. – Ela está aqui – Ela tocou na minha cabeça. – Não é o coração, é a mente. Desligue. Desligue suas emoções. – Olhei para Musa sem entender e ela me tirou do púlpito, me abraçando a força. – Você vai conseguir! Eu estou aqui, O Cara da Roda Gigante está , as pessoas que você pode contar, jamais vamos nos deixar.

Musa e eu ficamos ali abraçadas chorando por horas. Chorei de dormir nos seus braços e ao acordar pela manhã no dormitório do Purgatório, me fez questionar até onde aquilo tudo foi real. Escovei os dentes, tomei banho, me vesti e tentei não pensar na noite anterior, não importava, era meu ultimo dia naquele lugar. Eu estava saindo do Purgatório.


A porta do metrô se abriu e eu puder ver meu Acompanhante sorrindo para mim. Eu o abracei como se fosse um amigo que a muito não via.

A: Para terra?! Olha só a vida te dando uma chance de novo!
L: A vida é uma filhadaputa, tá?! Ela não é minha amiga e não vai facilitar.
A: Ouvir dizer que sua história no Purgatório foi como a de Jô, O Cara da Roda Gigante só não deixou tira-lhe a vida, o que deve ter deixado O Sabotar irado. Você sabe que ele ainda te quer, né?
L: Aaaaah, pouco me importa, eu estou tão feliz que estou saindo, eu sou mesmo uma sobrevivente! A: Eu nunca duvidei disso! – Olhei pela janela e vi que já havíamos passado do túnel – E agora? Já sabe o que quer fazer ou o que não quer fazer?
L: Não. Recomeçar sempre é difícil, mas é preciso.
A: Então... Sem planos?
L: Não exatamente. Eu tenho um... - Sentei ao lado do Acompanhante e sorri. - Você vai continuar olhando por mim? Talvez, eu precise muito.
A: Eu jamais tirarei os olhos de você. - Ele me abraçou mais uma vez.

Chegando na estação, me despedir do Acompanhante e o vi seus olhos lagrimejar. Da última vez que nos virmos, vi piedade no seu olhar, dessa vez, era um orgulho com misto de felicidade. Corri, peguei um táxi e cheguei em casa o mais rápido possível. Ao abrir a porta, gritei pela Musa e ela desceu a escada correndo, me abraçou e agradeceu por eu está ali, olhei profundamente para os seus olhos e disse:

- Eu estou pronta, quero desligar.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

lost and now whatever.

Uns dias atrás, curtindo a ociosidade das férias, entrei no Facebook e stalkeei. SIM, EU CAIR, EU PEQUEI! HAHAHA Suricatiei a vida de todo mundo: O Russell, aparentemente, terminou com a namorada, o James, casou-se, o Pedestal, está só esperando o filho chegar e o Comendador está de namorada nova. - Olha o meu todo mundo HAHAHAHAHA
Sentei e avaliei minha vida amorosa e eu não tenho nada de novo, não terminei com ninguém, nem de longe me casei, não estou grávida - obrigada, meu Deus! - e não comecei a namorar. - Sem vida feliz gente, por isso sem Facebook -
A verdade é que eu não quero namorar. Acho que é a primeira vez na minha vida que não quero isso. A vida tá uma bagunça, meu irmão! Não estou conseguindo lidar com relacionamentos básicos - Como o de mamãe e Pepi, por exemplo -, imagine um macho na minha cola??! 
Está solteira é bom. Como a gente vive em um país que um relacionamento é super-romantizado e cheio de babaquices, não ter ninguém querendo te controlar é lindo! Imagina que locoo o cara dando uma de maluco possessivo porque dormir na casa de algum amigo meu?! Ou ficar putíssimo porque eu teria dias que nem queria olhar para cara dele, mas estaria com a casa cheia de gente... Entendem?! Não quero viver isso. 
Eu ando tão chata, que tenho sentindo pena da minha melhor amiga, que tem que lidar com uma loca que levanta textões e faz perguntas existenciais, e depois de dois dias está fazendo tudo ao contrario do que disse que ia fazer. Fora os dias de choros e áudios no Whatsapp. 
Não, eu não tenho sido uma boa companhia para mim mesma, nem a Musa tem aparecido e muito menos o Cara da Roda Gigante. Eu voltei ao meu status de Junho de 2016, onde me vi tendo que viver comigo apenas e com o mundo. Evitando o What e destilando verdades no Twitter. Sem querer está com ninguém e curtindo o escuro do meu quarto.
Tenho tentado manter o meu equilíbrio emocional, mas percebi que ele estava no lixo, no dia que fui ministrar um treinamento de PNL, que preciso ter um equilíbrio emocional perfeito e CHOREI DE SOLUÇAR. Com minha mãe, que está internada - Pauta para outro post -, fui à viagem toda do ônibus chorando e dizendo para mim mesma que quando chegasse ao hospital, eu iria ficar de boa, só passando que estava tudo lindo para ela. A realidade mesmo é que cheguei, sentei e CHOREI DE SOLUÇAR com ela. Eu tinha conseguido equilibrar esse lance do choro, mas agora desandou de vez e eu voltei a ser a menina que chora no ônibus. 
Chegai a vaaaaaaaariiiaaas conclusões sobre a minha vida que me levaram mesmo a desisti de tudo. Peguei a cadeira, coloquei na varanda, sentei e estou vendo a vida acontecer. Eu aceitei que perdi, só não sei ainda o que fazer depois disso.


Ps¹: Esse post é tão eu na veia, que poderia ser um compilado sobre o que posto no Twitter.
Ps²: Estou ouvindo, incansavelmente, o albúm "The Wall" do Pink Floyd, com o objetivo de ver a luz no fim do túnel. 

terça-feira, 25 de outubro de 2016

The Purgatory: The Companion

"Eu nunca estive nesse lugar" Pensei olhando toda a estação de metrô. A estação era no subsolo e não havia mais ninguém ali. "As pessoas andam se comportando" Pensei revirando os olhos. Sentei em um dos bancos e apertei a alça da mochila, abaixei a cabeça e me perguntei "Como cheguei até aqui?"


R: Oi, você é a Lara, né? 
L: É sim. - Levantei rapidamente e observei o garoto. Ele deveria ter 20 anos no máximo, era cheio de sarnas e sorria como se ali fosse um bom lugar para está. - Eu te conheço? 
R: Não, mas eu te conheço, e preciso perguntar: Você foi mesmo ao inferno duas vezes? - Ele me olhou e pude ver as expectativas soltarem dos seus olhos. 
L: Sim... Mas como você sabe disso? 
R: Todas as pessoas de todos os reinos sabem disso! - Ele afirmou e senti banalidade no seu tom de voz. 
L: Todas? De todos os reinos? - Falei sem entender nada. 
R: Sim, todas! - O metrô parou na estação e abriu as portas, o garoto me pegou pelo braço e me puxou para dentro do vagão - Vamos, não podemos perder o metrô, só passa outro daqui a uma hora e.. 
L: Você pode largar meu braço? - Olhei o vagão completamente vazio e sentei - Parece que as pessoas andam se comportando, né?! Estou aqui sozinha... 
R: Não, isso não tem nada a ver. Não é para ter mais ninguém aqui mesmo, só você e eu, o seu Acompanhante. Raabe, muito prazer! - Ele estendeu a mão direita para aperta-la formalmente. 
L: Meu Acompanhante? Do quê? Para quê? 
R: Sim, eu acompanho as pessoas nessa viagem, meu papel é ouvi-las, conforta-las e dizer que nem tudo está perdido. Eu sirvo para enchê-las de ânimo. - Ele falou orgulhando-se muito do cargo - Quando vi sua ficha e soube que vinha para cá, eu quis acompanha-la, você deve ter historia interessantes para contar! - Ele sentou do meu lado e me olhou com aquele olhar de expectativas novamente. 
L: Eu não tenho nada para contar. Eu estou aqui, não é?! Deu tudo errado de novo. Eu perdi. 
R: É eu soube... E olha, vai ficar tudo bem, viu?! - Ele falou meio desajustado. 
L: Raabe, né?! Então, olha só, eu sei que é seu papel e tal, mas EU SEI QUE NÃO VAI FICAR TUDO BEM, TÁ?! - Gritei e gesticulei tentando sendo clara. 
R: Não! Mas vai ficar mesmo! Você é... 
L: Raabe?! Pare, por favor, eu não quero conforto, sabe?! Não quero ninguém me dizendo que está tudo bem ou que vai ficar. Eu só quero viver tudo isso aqui, na minha, quietinha. Beleza? 
R: Mas eu sou seu Acompanhante! Eu preciso te ouvir, te ajudar! É uma fase difícil, eu sei, já vi milhões de pessoas passarem por aqui, não é nada fácil está lá. 
L: Raabe?! Você conhece a minha historia? 
R: Sim! TODA! Você foi ao inferno duas vezes! Não conheço ninguém que tenha saído vivo de lá, imagine ir duas vezes! 
L: Então... Eu fui ao inferno. Sério que eu preciso de consolo ou acha mesmo que eu quero falar sobre mim? - Ele me olhou e desta vez eu vi piedade nos seus olhos - É uma fase realmente difícil, eu só quero esperar em paz. 
R: Bom, mas o que eu vou fazer aqui então? 
L: Que tal me contar como você chegou até aqui? Afinal, a minha historia você sabe, né?! Mas eu não sei a sua. 
R: A minha? O que falar? - Ele fez cara de confuso - Eu sou um anjo de 326 anos. Antes eu cuidava da papelada toda das pessoas que subiam e descia, mas acabei sendo transferido para cá, precisava trabalhar em campo. 
L: Você é um anjo novo. E você curte ser Acompanhante? 
R: Todos acham um tédio, vejo meus amigos reclamando um monte, mas eu até gosto, acho divertido. Ontem vi com uma senhorinha que nem queria passar por aqui, ela queria ir para o inferno mesmo, disse que tinha consciência de tudo que fez na vida e que não se importava. Ela me contou historias incríveis, e no final da viagem, disse que tinha certeza que ela só ficaria aqui por um tempo e que eu achava que ela ia para o céu... Ela só acha que vai para o inferno por xingar muito. - Ele falou quase sussurrando - Ninguém vai para o inferno por isso. 
L: Muitas pessoas vão para o inferno? 
R: Sim. Mas, de tudo que já vi por aqui, não acho que você vá. Você, praticamente, trabalhar com o Cara da Roda Gigante. 
L: Nós nem temos nos falado mais. Talvez por isso que eu esteja aqui, afinal. 
R: Você acha que ele te abandonou? 
L: Não. Eu que o abandonei. - Ficamos em silêncio por uns vinte minutos e eu comecei a observa-lo. 
R: Eu iria falar que Deus nunca abandona ninguém, mas você afirmou que foi você que o abandonou. Eu não sei o que te dizer. Não se tem muito que dizer para uma pessoa como você. 
L: Uma pessoa como eu? O que dizem sobre mim? 
R: Bom, eu não sei se eu posso contar... - Ele levantou e colocou a mão na cabeça - Geralmente, as pessoas que falam sobre elas, eu nem falo nada de mim, as pessoas não entendem, sabe?! - Ele sussurrou mais uma vez - Olha só, já estamos chegando - Ele apontou para fora da janela e puder ver um túnel - Acho que é o momento de me despedi, eu só te acompanho até aqui - Entramos no túnel e as portas do metrô se abriram - Bem, é aqui. 
L: Obrigada, Raabe - Falei me levantando e olhando para fora - Foi um prazer te conhecer e... - Ele se aproximou e me abraçou com força. 
R: Eu quero que saiba que estou torcendo por você e que não importa o que diga, vai ficar tudo bem - Ele me saltou e pude ver o olhar de piedade brotarem nos seus olhos. 
Sair do vagão e logo ele sumiu no túnel. Essa estação também era no subsolo e estava vazia. Caminhei até a escada, subi e caminhei até a seguinte placa:

Continua...
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