Quando me peguei pensando na possibilidade de escrever sobre como a dança fez grande parte da minha vida, e sobre o All Star, saberia que seria difícil. Não, não é só pela dança em sí, que amo e sei que ainda existe alguma coisa ligada a ela dentro de mim, mas pela emoções que viriam a tona com toda essa nostalgia. Não, não foi fácil, na verdade, mas difícil do que eu imaginava, a cada música era meia hora chorando e um texto normal que normalmente leva de 20 a 30 minutos, os da dança era 2 horas. Mas eu me permitia, se permitir é a grande delícia da vida! Então eu ia lá atrás, me lembrava de cada passo, de cada apresentação, de cada briga pelo grupo, sim, eu também lembrava das coisas ruins, de como éramos uma família e hoje nem nos vermos mais, de como o All Star deve ter mudado a vida deles também, afinal temos historia para contar.
Quando dancei nesse grupo pela 1° vez nem imaginava o quanto de bagagem ele traria para minha vida. Para a profissional, ela trouxe a sabedoria de uma sala de aula, 2 anos e meio de um laboratório de aprendizado, uma coisa que metade das pessoas que fazem hoje dança não tem. Eu tenho, tive o prazer de ver várias pessoas entrarem e saírem da minha sala com sabedoria para passar a diante. De antes ter dificuldade para montar uma coreografia e hoje saber que existe 3 formas para montar uma. De reconhecer os instrumentos que estão usado em uma música. De saber a diferença entre tempo e batida. De que 1° se pega a base e depois vem o aperfeiçoamento. Que para uma coreografia boa, precisa de tempo para chegar a perfeição. De fazer uma grande produção, um espetáculo. De saber que nenhum de todos os outros diplomas que já conseguir em outras danças, não vale nada sem prática. Para a pessoal, tive o maior prazer do mundo de conhecer muita
MUITA gente bacana. De pessoas que tem um carinho por mim até hoje. De aprender a lidar com gente (Isso sim é uma experiência para a vida toda!). De aprender a saber fazer escolha, de analisar situações, de saber ouvir e falar, e lutar
SEMPRE por aquilo que quer.
Lembrar da dança e principalmente do All Star e sentir um arco-íris de emoções. E chorar, sorrir e dançar ao mesmo tempo e por isso continuar a escrever sobre. O que mais ouvir aqui era que tudo isso era bobagem, na verdade durante toda a minha vida, ouvir que a dança era uma bobagem, mas o que essas pessoas não sabem é que eu faço as coisas por mim, e não para as pessoas dizerem que estar bonitinho. Comecei a escrever para as pessoas saberem mais sobre essa parte da minha vida e no 3° texto já era pela loucura que eu sentia dentro de mim a cada texto, a maioria dos textos sobre a dança, não renderam mais que 10 comentários, porque as pessoas não fazem nem ideia de como tudo isso teve um significado enorme para minha vida, e eu sei, e isso importa muito. Ainda hoje, sabendo tudo que fiz pelo All Star, acho que deveria te feito mais, se dei o sangue era para eu ter dado o corpo inteiro, porque valeu
MUITO a pena, me lembro de todos os passos, até das músicas de minha alunas. O All Star foi uma das grandes coisas da minha vida, foi o descobrimento de tudo que um dia eu queria ser, e fui!
Hoje eu tenho que agradecer muito a Deus por tudo isso que eu vivi, agradecer a todas as pessoas que acreditaram em nos. Ao grupo escolar (Diretora, vice, supervisor e professores) da minha antiga escola, que acreditaram e apoiavam nossa ideia. A todos os supostos fãs que gritavam loucamente quando agente dançava e a uma menina que foi a única que eu vi chorar em uma apresentação do All Star (É muito amor). Do Sr. X que levava agente todos os anos para dançar no clube da sua empresa. Dos nossos pais que investiram dinheiro para podermos nos apresentar dignamente (Ô vocês acham que nossas roupas eram qualquer uma? Rs). A todos os amigos e namorados que foram super compreensíveis com agente, quando largávamos tudo para ensaiar. E principalmente a:
Sr.Cabeça, Vivian Perón, Lilith, Alicia Keys, Odete Roitman, Bruna Sufistinha, Papi O camelo, Xico Sá, Mr.Bean, Camila Pitanga, Mario, Sr.Coxinha, Barbie e Seya, sem eles toda essa historia não valeria a pena, e a eles também o mérito de fazer o sonho acontecer.
A vocês que leram e acompanharam tudo. O All Star acabou, mas aqui dentro, aquela menina..
Ela ainda dança..
Ps¹: O "Ela ainda dança" Para mim é como "Viveram felizes para sempre.."
Ps²: Fiz esse textos em 2 horas e 30 minutos, ouvindo todas as músicas que o All Star já dançou, chorando de soluçar e depois tive que corrigir o texto todo, porque estava escrevendo que nem louca e nem me importava com os erros de português.
Ps³: Resposta a minha mãe e a todos que acham que eu deveria voltar a ensinar: Queridos, a realidade e dura demais, hoje eu preciso sustentar uma criança e infelizmente a dança não é valorizada no Brasil e ainda por cima não tenho o capital de giro, para fazer a coisa toda funcionar.. Então, não vai rolar..